segunda-feira, 25 de maio de 2009

Clavadel 2009




Aí está mais um ano (o último deste projecto)do trabalho de campo do André.
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Preservar para quem? (2)

É consensual, em quase todos os quadrantes da opinião pública, que devem ser feitos esforços para preservar o património natural de algumas regiões que, pela sua particular riqueza paisagística, pela sua biodiversidade e/ou pelas características únicas da fauna ou flora, deverão ser objecto de um estatuto que limite a sua utilização.
Em regiões que ainda não sofreram grande impacto da actividade humana ou que, apesar de disso, devem ser exclusivas da vida natural, todos concordamos que devemos tirar o homem da equação.
Mas, frequentemente, os homens que são retirados não ficam lá muito de acordo. Quem tem a posse das terras, mesmo que não as utilize, quem vive da agricultura ou pecuária ou de outras actividades nessas regiões vê, com preocupação, os seus direitos diminuídos. Tal situação é tão comum no nosso país que, quem está fora dela não a questiona. É para o bem do país e do mundo. Quem se atreve a questioná-lo?
No entanto, essas limitações, que visam deixar parados no tempo esses territórios, vem, frequentemente, beneficiar outros, que não os indígenas.
Atraídos por uma crescente apetência pelo ecoturísmo, pelos desportos radicais ou, simplesmente, pela quimera de ter uma casa no campo, legiões de investidores lutam por um lugar ao sol, pressionando os poderes, local e central. Com a esfarrapada desculpa da criação de postos de trabalho ou da entrada de divisas. Usando de todos os meios para seduzir autarcas e governantes, lá vão conseguindo ver os seus projectos aprovados, usufruindo da paisagem que outros tiveram que abandonar.
Sem qualquer direito a serem compensados, continuando a pagar impostos pelo seu património e impedidos pelo mercado de os transaccionarem, vêem, mais tarde, serem levantadas as restrições que os mantiveram reféns.
Tal política não serve a conservação da natureza, pois põe as populações contra. Não serve a continuação de uma acção de preservação pois, como o estado não investiu na expropriação dessas terras, facilmente abandona áreas conservadas; basta que mude o governo. Não serve, porque torna fácil criar zonas de protecção sem um adequado estudo científico dado que, para tal, o estado não tem que despender verba.
A aquisição, mesmo que a um valor baixo, das zonas a proteger tem a vantagem de ser melhor aceite e, por outro lado, de perpetuar a preservação da natureza nessas regiões. Para tal, também muito contribuiria o alargamento dos perímetros urbanos, já existentes, para atrair população e actividades económicas relacionadas com o turismo.
Sem politicas apropriadas e sem uma educação e esclarecimento da população. Sem que os habitantes das áreas protegidas sintam que fazem parte da equação, os Parques Naturais serão sempre e a prazo, uma fonte de conflitos.
Ilustrando este tema, aqui vos deixo, com o intuito de cativar a vossa sensibilidade, um documento audiovisual sobre o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, onde estes problemas tem vindo a ganhar notoriedade.

Sudoeste from Eurico Moura on Vimeo.